“Que telefone é esse? Ah, o Zenfone 2? Ele é bom mesmo?”

Foi esta a exata sequência das perguntas que ouvi quase que diariamente, de amigos e conhecidos, ao longo dos últimos 45 dias de testes intensos com o novo top de linha da Asus. E agora, com uma opinião formada, posso compartilhar com vocês as impressões mais sinceras, sem o olhar de novidade.

Vamos começar pelo óbvio: é bom? Minha resposta: claro que é! Não tem como um smartphone quad-core com 4 GB de RAM, tela FullHD de 5.5″, com atualizações no Android quase que semanais e, ainda, com um preço de R$ 1.500 ser considerado “ruim”. A Motorola por pouco menos já fez um sucesso estrondoso, oras! E se considerar os Galaxys Minis e LGs perto dessa faixa de preço, ainda…

Review do Zenfone 2: 45 dias depois, vimos que ele é um ótimo telefone

A dúvida sobre sua qualidade, no entanto, é pertinente. Afinal, a Asus está posicionando o Zenfone 2 como um concorrente do iPhone e do Galaxy. De fato, em performance o dito cujo é merecedor de comparações e em algumas delas ele certamente será bem sucedido. A estratégia, porém, teria dado certo a dois anos atrás, quando se julgava um smartphone top de linha por sua performance.

É uma questão de evolução do mercado: como até os smartphones intermediários já conquistaram uma configuração estável, a Samsung, por exemplo, entendeu que o mercado de tops virou um mercado Premium, o que a faz se aproximar da estratégia da Apple (que sempre optou mais pela boa experiência de uso, design e qualidade de construção do que por configurações exageradas).

Na prática, o Zenfone 2 concorre com o novo Moto X, em uma nova faixa de smartphones parrudos e acessíveis ao grande público. Nesta categoria, perde apenas pelo design e pela experiência de uso extremamente simples da Motorola. Em performance, o Zenfone 2 é digno de aplausos, e sua câmera se destaca mais que a do X.

De forma semelhante, podemos falar do Zenfone 2 Deluxe. Ele, em poucas palavras, é comparável ao Galaxy S5: muito bom, muito sedutor, mas ainda de plástico. Enfim.

O Asus Zenfone 2 possui um design simples, funcional e discreto.

A questão deste Zenfone é um tanto complexa. Diria que, na falta de uma experiência global neste mercado, ou na falta de uma projeção futura do mercado ainda na época em que ele estava sendo planejamento, a Asus não considerou fechar todas as arestas. O telefone é muito bom, mas peca em detalhes mínimos. Veja bem:

O que gostamos:

  • A tela tem ótima resolução e dimensão, com uma proporção bem ergonômica. Não tenho o que reclamar. Na verdade, foi o quesito que mais gostei.
  • Ainda sobre a tela, o brilho também é ótimo e a leitura é boa, mesmo quando levemente prejudicada sob o sol. Também agradou muito o fato da configuração automática de brilho também possibilitar o ajuste para ter mais ou menos luz.
  • Na falta de películas no mercado, é possível improvisar com uma do Galaxy Note 2 de cabeça para baixo. :)
  • A câmera é ótima. Fotos claras, com pouco ruído. Se aprender a manuseá-la, as imagens ficarão muito boas.
Praticamente um CNTP para câmeras fotográficas: estático, paisagem, dia ensolarado etc…
  • Razoavelmente leve e bem equilibrado, com peso bem distribuído. E isso é ótimo, pois não induz o telefone a escorregar da mão tão facilmente.
  • O design das laterais, acompanhando a curvatura da traseira, oferece uma pegada melhor que a do Moto X2.
  • As bordas de tela são razoavelmente pequenas. Digo isso pois, particularmente, acho muito mais aceitável do que a do Zenfone 5. Ambos, aliás, são praticamente do mesmo tamanho físico, apesar da tela menor no Z5.
  • Os “botões laterais” na traseira ainda me dedicam um certo esforço de uso. Questão de costume mesmo.
  • Sistema de gestão de aplicativos que podem ser inicializados com o sistema é um must-have que toda fabricante deveria colocar. De fato, um dos maiores diferenciais deste Asus frente à concorrência.
  • Recursos simples como Lanterna, Espelho e Calculadora são sempre bem-vindos. A Asus deixou isso ainda melhor com a possibilidade de incluir atalhos para eles nas notificações – e é possível acessa-los rapidamente, mesmo com a tela bloqueada.
  • Nem todos os apps pré instalados são ruins. Na verdade, os apps da própria Asus são muito bons. Destaques ao SuperNote (para notas em desenho, ao Splendid (filtro de cor para a tela, ótimo para reduzir a emissão de luz azul à noite, que atrapalha o sono) e o Do it Later (gestor de tarefas).
  • A qualidade do áudio do Zenfone 2 é muito boa. Ótima potência e espectro de frequência abrangente, o que o faz capaz de reproduzir bons graves e agudos pouco estridentes (se você notar isso, provavelmente o problema será o próprio fone). Claro… a qualidade ainda não é comparável à do iPhone, mas ainda assim o áudio é muito bom.
  • O modem interno tem uma ótima captação de sinal e boa resposta em quedas ou reinicialização da rede. Com isso, a navegação de Internet não é prejudicada, mesmo em lugares com sinal fraco.
  • A performance geral dele é surpreendente. Nunca tive tanto aplicativo instalado em um telefone e, mesmo assim, o Zenfone 2 consegue gerir todos os recursos com louvor. Uma salva de palmas à combinação de 4 GB memória RAM com um gestor de inicialização de apps. *Clap* *Clap* *Clap*
Exemplo de foto noturna, no automático (sem o recurso de melhoria para fotos escuras): razoável.

O que não gostamos:

  • A câmera é muito boa mesmo, mas mantém o mesmo defeito do software padrão da câmera no Android, que teima em buscar pontos focais bem definidos (o que acaba deixando a imagem escura, pois o ponto focal também é usado como referência de iluminação). A solução para isso é simples: nunca use o foco automático do Android. Sempre use o dedo para buscar outros pontos focais e de referência.
  • O modo noturno da câmera: em ambientes de baixa iluminação, achei a lente traseira pareceu funcionar melhor no modo normal, automático, do que o modo noturno, que coloca mais ruído e diminui a resolução.  Já na câmera frontal, o modo noturno é completamente dispensável – não dá nem pra entender porque ainda habilitaram esse recurso aqui, já que o sensor não é bom pra isso.
Exemplo de foto noturna com a câmera frontal: really?!?
  • O botão de ligar e desligar a tela é muito pequeno. OK… até entendo que a Asus tenha feito um trabalho no software do Android para justamente diminuir a dependência do botão físico, com o duplo toque na tela desligada para ligá-lo e o duplo toque em áreas vazias para desligar, mas volta e meia este recurso não funciona, e o botão acaba incomodando mais um pouco a experiência de uso.
  • O fato dele deixar a tela toda escura automaticamente em todas as ligações é simplesmente detestável. Para destravar, é preciso desligar e ligar a tela no botão. (a Asus tentou resolver isso com dois updates, mas ainda não obteve sucesso) .
  • O sistema Android vem lotado de aplicativos indesejáveis, mas é possível desinstalar tudo. Fique atento particularmente ao app de atividades físicas Up, da Jawbone, que o próprio gestor de apps denuncia como sendo um gastador de bateria – mesmo sem nunca ter aberto ele.
  • Outro problema do sistema é que, apesar da ótima performance com todo o tipo de aplicativo, tenho notado que o Launcher não tem segurado a barra e frequentemente ele trava (2~3 vezes por semana). Considerando que não me lembro de sequer ver outros apps sendo encerrados inesperadamente, pode ser que este seja um problema pontual, de programação mesmo. De qualquer forma, em menos de um minuto ele restaura o sistema normalmente – apesar de eu sempre optar por uma reinicialização após um erro desses.
  • A caixa de som externa é frequentemente prejudicada pela posição. Afinal, por estar na parte de baixo da traseira do telefone, a mão pode abafar o áudio. O mesmo acontece com a tela virada pra cima, quando encostado em uma mesa.
  • O microfone também é prejudicado pela posição – e por ser apenas um. Até perceber que ele estava na parte inferior esquerda do telefone, muitas filmagens tiveram o áudio prejudicado porque a minha mão abafou o microfone.
  • Bateria deixa a desejar, de certa forma: mesmo limitando a atuação de aplicativos no smart, com o gerenciador, e na rede, com Opera Max, ele ainda torra muita bateria. Melhor método para economizar é desligando o pacote de dados.
  • Apesar de dual chip, o segundo chip é apenas para ligações e rede 2G. Ruim, considerando que até o Moto G tem ambos os chips 4G.

Conclusão:

Sim, vale a pena comprar o Zenfone 2 e dar este voto de confiança para a Asus. É um player muito bem-vindo ao mercado brasileiro e definitivamente este é um ótimo telefone de R$ 1.500. Ainda assim, o tempo e as atualizações nos dirão se a Asus realmente manterá este bom relacionamento com seu público. Numa perspectiva de negócios, é notável a boa intenção da fabricante, mas os seus concorrentes também sabem jogar este jogo muito bem.