A forma de a Suécia lidar com a população, política e dinheiro tem ganhado destaque no Brasil. Dia após dia, muitos brasileiros compartilham muito nas redes sociais a forma como o país administra estas delicadas questões. Hoje, está arraigado na cultura sueca a necessidade de uma boa gestão financeira e social, e também ser “o mais justo possível” dento do que o modelo econômico dominante permite.

Quem afirma isto é Anders Norinder, presidente da operação tupiniquim da iZettle, startup sueca de pagamentos móveis que estabeleceu sua operação no País em 2013. Em bom e claro português, o também sueco, que já foi presidente da Volvo na América Latina, tem curtido bastante observar como alguns valores atribuídos ao seu país e cultura têm transformado o negócio da companhia por aqui.

“Acredito que a clareza com que lidamos com as coisas, e também a praticidade e objetividade, são características que fazem muito sucesso no Brasil, principalmente quando se trata de negócios”, conta o executivo. “Não somente isso, notamos que as pessoas se sentem automaticamente mais seguras em fazer negócios que envolvem basicamente dinheiro com uma empresa estrangeira, é como se déssemos mais segurança a elas”.

Soluções

O negócio da iZettle no País é viabilizar, para micros, pequenos e médios comerciantes (de vendedoras de porta em porta até pequenos comércios), com ou sem CNPJ uma máquina que permita pagamentos via cartão de crédito e débito. Em junho deste ano, a empresa inclusive lançou o leitor de cartões Lite, que literalmente cabe na palma da mão.

A pequena e eficiente maquininha de pagamentos eletrônicos da iZettle, na versão Lite

Lite está disponível no site da iZettle por R$ 299, parcelado em até 12 vezes de R$ 29,92. Para clientes do banco Santander, o principal parceiro da companhia no País, a máquina pode ser adquirida com 50% de desconto – o banco oferece a atuais e futuros clientes a Santander Conta Conecta, que une benefícios da conta corrente com a solução de pagamentos móveis da iZettle.

Para usar o Lite é necessário um smartphone (Android ou iOS) com o aplicativo – gratuito – instalado para fazer a gestão dos negócios e ter acesso a um painel de controle do fluxo de pagamentos e entradas. A taxa por transação em débito é de 2,99% e a de crédito de 4,99% à vista, 6,78% em 2 vezes, 8,57% em 3 vezes – e assim sucessivamente, adicionando 1,79% em cada parcela acrescentada. O repasse dos pagamentos é feito em dois dias úteis, inclusive em compras parceladas. MasterCard (Maestro) e Visa são os cartões aceitos.

 

“O Lite é o modelo ideal para vendedoras de cosméticos, micro e pequenos empresários, e mira principalmente pessoas que não têm muita intimidade com tecnologia. Substituímos o wireless e o bluetooth pela conexão via cabo, o que facilita bastante a compreensão e uso da solução”, diz Norinder. “E hoje é muito difícil encontrarmos alguém sem um smartphone, principalmente Android, então é (uma solução) bastante aderente (ao público-alvo)”.

O design do Lite chama muito a atenção, seja pelo tom “Twitter” do azul, pelo acabamento emborrachado, pelas pontas arredondas, e até mesmo pelo peso – este estrategicamente pensado para passar a sensação de qualidade ao produto.

Outra solução da iZettle é o leitor de cartões Pro, que custa R$ 499,00 (ou 12 x 37,42), e funciona via bluetooth, tem visor integrado, e é destinado para comércios maiores, com maior fluxo de transações diárias. É literalmente o substituto da máquina tradicional (aquela grandona desajeitada). Para usar, também é necessário um smartphone ou tablet, para ter acesso às planilhas de gestão do fluxo de transações e repasses. A Pro segue o mesmo modelo de taxação do Lite.

“Uma coisa que é muito importante ressaltar é que nosso principal produto é, na verdade, um serviço: entregar uma gestão eficiente e transparente de transações para os clientes, um controle efetivo de fluxo de caixa. A máquina é a viabilizadora dos dados que lá trafegam, mas a solução em si é poder mostrar esse controle de forma fácil e rápida”, explica Norinder.

Este painel citado pode ser acessado de computadores (exemplo abaixo) e dispositivos móveis, e mostra a porcentagem de clientes regulares, número de transações (e o ticket médio), valor total de vendas, horários de picos de vendas, e até saber quais os produtos mais vendidos (você precisará cadastrar esses produtos para entender a demanda).

 

Exemplo de apresentação do painel (sem transações). Há ainda dois outros painéis com informações mais específicas de vendas e produtos

Um novo usuário deve se cadastrar para acessar e utilizar a solução. Nesta página você definirá se o cadastro é de uma Sociedade Ltda, S.A, pessoa física com atividade profissional, Autônomo/ MEI, ou Pessoa Física (neste último, você precisa acessar seu Facebook para fazer a conta). Cada tipo de cadastro solicita uma informação diferente. Como se trata de dinheiro, vale a pena ler os Termos e Condições do uso da solução. Vale pontuar, a iZettle roda sua plataforma na Equinix.

Negócios

Anders Norinder, presidente da operação brasileira da iZettle

A principal concorrente da companhia, a Moderninha, do Pag Seguro, custa R$ 598,80 (ou 12 x 49,90), e tem bombardeado a televisão com propaganda. Sobre este tópico em específico, Norinder afirma que “a iZettle segue uma abordagem de negócio e atende a um público diferente” e que entende que esse tipo de propaganda “é benéfico para propagar o pagamento móvel”.

“Eles crescem no nicho deles e nós crescemos no nosso. Há muito espaço”, afirma ele.

Para confirmar sua afirmação, ele conta que somente no primeiro semestre de 2015 foram feitas 25% mais transações em máquinas da iZettle que em todo ano de 2014. Não somente isso, o brasileiro tem crescido para atender a demanda.

“Hoje, já contamos com 25 profissionais na iZettle Brasil e vamos continuar crescendo, conforme vamos nos apresentando de maneira orgânica no mercado ou por meio de parcerias que propaguem nossa marca para o público que miramos”, explica.

Outra parceria que foi iniciada no Reino Unido foi com a Apple, e as maquininhas da iZettle agora também aceitam o Apple Pay como forma de pagamento. “Ainda não sabemos se vem para o Brasil ou, se vier, quando chega, mas é uma parceria importante para a marca”, conta ele.

A iZettle também tem buscado conversar com algumas outras empresas para que suas maquininhas sejam padronizadas nas vendas. Embora não revele, tudo indica que vendedoras porta em porta de gigantes dos cosméticos em catálogo ou taxistas, por exemplo, são potenciais alvos da companhia sueca.

O mercado

O presidente da iZettle no Brasil acredita que há um espaço tremendo para crescer, e reforça que 40% dos pequenos negócios no País não aceitam pagamentos com cartão, o que indica o potencial de novos negócios que há no horizonte. O dado, que é do Sebrae, aponta que 23 milhões de comerciantes brasileiros ainda estão aceitando apenas dinheiro.