Conversamos com a empresa por trás do cartão de crédito mais versátil do setor para saber o que eles tem a dizer sobre os negócios, o mercado e o futuro. MAIS: fomos às compras com o cartão e avaliamos o que ele oferece em termos de experiência de usuário

Para se obter um cartão de crédito, hoje, você teria que ir até o banco de sua escolha, fisicamente, e preencher formulários de análise de crédito, questionamento de limites – e ser massivamente tarifado por isso, tendo até mesmo, em alguns casos, que mudar a quantidade de serviços contratados para a sua conta. Poucos são os que permitem conquistar um cartão via internet. Mas, no que depender de um player relativamente novo neste mercado, tudo isso não demorará a dar lugar para um processo mais simples, direto, e móvel.

Essa é a premissa do Nubank, o cartão de crédito da startup brasileira homônima, lançado em setembro de 2014. Já tendo passado por dois aportes (um de aproximadamente US$ 14 milhões no ano passado e outro de US$ 30 milhões, em junho deste ano), a empresa do ramo de fintech (“Tecnologia Financeira”, traduzindo o jargão para o português) já figura entre as maiores do setor e, apesar da pouca idade, já tem ambições de mostrar a que veio.

Tivemos a oportunidade de conversar um pouco com Cristina Junqueira, vice-presidente de Marketing, Operações e Produto  da Nubank, além de colocarmos à prova o cartão de crédito mais comentado da atualidade.

“Recebemos um aporte significativo recentemente”, explica Cristina, “o que nos permitirá acelerar o nosso aprendizado por meio de uma expansão de nossa base de clientes. Por uma política da empresa, não podemos abrir o número atual de clientes, mas temos, hoje, cerca de 300 mil pedidos de cartões. Estamos crescendo em uma média de 30% a 40% ao mês e batemos, agora em maio, a meta de clientes que era esperada apenas para dezembro”.

A executiva ainda explica que o aumento da base de usuários poderá trazer aprimoramentos na parte de avaliação de crédito, além de novas metodologias de prevenção à fraude. “Usamos os métodos mais avançados e os níveis mais altos de criptografia na proteção de dados de nossos clientes. A segurança de informações sempre foi a nossa maior prioridade”. Segundo ela, a percepção da Nubank de que o público brasileiro é majoritariamente jovem – e deste, a maior parte é ligada em tecnologia -, foi o que levou a empresa a apostar na mobilidade e, por consequência, na segurança de dados.

O mais interessante, segundo Cristina nos aponta, é o fato de a concorrência olhar para o cartão com ares de curiosidade, ao invés de “concorrência direta”. Por mais que exista a bandeira da Mastercard por trás, outras administradoras estão mais interessadas no modelo de negócios proposto pela Nubank. “Já fomos procurados por empresas do setor financeiro, que buscam entender como nossos processos são tão simplificados. É muito mais um aprendizado sobre nossa abordagem do que um impacto”.

VAMOS ÀS COMPRAS!

O processo para se adquirir o cartão de crédito da Nubank é bastante simples. Você deve baixar o aplicativo da empresa através de sua loja virtual de preferência (aqui para iOS e aqui para Android; ainda ausente no Windows Phone) e pedir um convite. Esse mesmo processo também pode ser feito pelo site da empresa.

Como é de praxe no setor, todo candidato deve passar por análise, o que, segundo a própria Nubank, gerou uma fila de espera relativamente grande. Contudo, a resposta para o time do Up to Tech veio com rapidez: em pouco mais de vinte e quatro horas, o Renato e o Alantiveram seus pedidos negados (Rá!), enquanto recebi a aprovação do meu em cerca de dois dias. Dali, foram quinze dias de espera –  mais do que inicialmente informado, mas a Nubank foi transparente em dizer que houve um imprevisto na fabricação do meu cartão e isso estenderia o prazo. Uma vez de posse do cartão, precisei apenas fazer o login pelo app (via CPF e senha que eu determinei) e ativá-lo normalmente.

Tela inicial do app da Nubank: opções para novos usuários e login para já quem já foi aprovado

Tela inicial do app da Nubank: opções para novos usuários e login para já quem já foi aprovado

Aqui, começa a parte boa. Como consumidor, eu estou no meio termo entre online e loja física. Como o Nubank tem foco na mobilidade, obviamente, minha primeira ação foi visitar o PayPal e adicioná-lo à minha conta. Consegui transferir fundos sem problemas. Depois, fui até a Amazon, onde mantenho uma conta americana – novamente, consegui fazer compras normalmente.

DEU RUIM! ME AJUDA, SAC!

A parte estranha começou no iTunes: por alguma razão, a loja da Apple não quis aceitar o Nubank como forma válida de pagamento (minha conta é brasileira). Tive que entrar na área de informações de cobrança (via “Ajustes”) e reinserir os dados. Sem mudar nada, a segunda vez passou tranquilamente. Infelizmente, não pude dizer o mesmo da Sony: ao tentar inserir os dados do cartão nos serviços online da empresa, todos eles recusavam, alegando informações erradas. Cristina aponta isso como um caso isolado, e aponta os serviços de atendimento ao consumidor para auxílio direto.

Resolvi seguir a orientação da vice-presidente e usei o recurso de chat. Pelo próprio smartphone, você abre uma janela onde introduz o seu problema. Em alguns instantes, um atendente responde sua introdução e abre-se uma janela de chat bem parecida com aquela do Facebook Messenger.

Essa forma de atendimento, mais exclusiva, permite que as informações sejam mais precisas e repassadas conforme a sua necessidade. Essa, aliás, sempre foi uma qualidade ausente em SACs via telefone, onde os atendentes geralmente devem obedecer informações decoradas, que não oferecem um auxílio mais tailor made para o cliente. É definitivamente um dos maiores diferenciais (senão o maior) da Nubank.

VALE LEMBRAR…

…que quem determina o limite disponível de compra é o próprio usuário. O mínimo é de R$ 500,00 mas o próprio app dá escalabilidade a isso. Claro, qualquer alteração deve passar por nova avaliação de crédito, mas isso já era esperado. O Nubank é licenciado pela Mastercard e o app já é compatível com o Apple Watch. Eu, particularmente, senti falta de um programa de fidelidade – já que é uma tendência bem moderna a oferta de benefícios como milhagem aérea ou descontos em estabelecimentos. Cristina conta que a Nubank está estudando implementar benefícios similares por conta própria, embora não tenha detalhado datas ou quais seriam tais benefícios. Contudo clientes da Nubank tem acesso aos benefícios da Mastercard Platinum e ao programa “Surpreenda” da bandeira, com alguns benefícios. É um bom contrapeso, dependendo do tipo de cliente.

No geral, a experiência com o Nubank vem sendo muito boa. É difícil dizer como ficarão aspectos como atendimento ao consumidor, à medida que a empresa cresce e o volume de requisições aumenta, mas todo o restante me dá confiança de que o time por trás da Nubank está se preparando para isso aos poucos. Definitivamente, vale a recomendação.