Após uma semana na capital da China e muita conversa com colegas chineses, alguns aprendizados valem compartilhar, para curtir melhor a cidade

Na última semana de maio, estive em Beijing, China, a convite da Lenovo, para cobrir o primeiro evento global da empresa, chamado de Tech World. Obviamente, o choque cultural foi gigantesco desde o começo. Começando pelo fato de que o taxi do hotel que fiquei (Hilton Beijing) era, na verdade, um Audi A6 – esperava uma moto ou um carro antigo, puro preconceito tolo. Não somente isto, as ruas de Beijing são repletas de carros alemães, principalmente os da Volkswagen, que têm 50% de participação de mercado na cidade.

Cherry e Jac Motors? Não, eles não querem, pois ficaram anos dependendo apenas da produção de carros de fábricas locais. Ainda estão lá, mas são para os mais pobres. Desde que a Audi, BMW e Volkswagen começaram a fabricar na região, estes se transformaram nos xodós dos chineses. As ruas são repletas de carrões importados, pois o custo deles é barato, devido ao incentivo do governo chinês em melhorar e universalizar a frota do País.

Taxi, mas taxi mesmo, é o Hyundai Elantra. Cerca de 70% da frota de taxis são destes carros.

Outra grande curiosidade: a cidade é gigantesca, com ruas largas, espaçadas, prédios inacreditáveis e construções muito grandes. E talvez por isso nem pareça que a cidade conta com 22 milhões de moradores. Tudo parece extremamente vazio. As ruas são vazias, é um pouco assustador.

Sede da IBM, em Bejing, China, próximo ao parque das Olimpíada (foto por Orin Thomas)

Sede da IBM, em Bejing, China, próximo ao parque das Olimpíada (foto por Orin Thomas)

Para alguns chineses, o estrangeiro é novidade, “coisa de outro mundo”. Então não se assuste se as pessoas simplesmente se aproximarem de você e pedirem para tirar uma foto, já com o celular aberto e a câmera pronta para clicar. É curioso para eles, e rende boas histórias.

Fui clicado pelos colegas de viagem enquanto um chinês me parava, na muralha da China, para tirar a foto. Houve mais... (Foto por Sarah Kimmel)

Fui clicado pelos colegas de viagem enquanto um chinês me parava, na muralha da China, para tirar a foto. Houve mais… (Foto por Sarah Kimmel)

Muitas reformas podem ser notadas na cidade. E o que vai sair será, possivelmente, um prédio novo com o estilo chinês do milênio passado. Segundo alguns chineses, hoje o governo chinês não expulsa mais os moradores sem que paguem bem por isto. Funciona assim: o governo tem que construir um prédio comercial numa região que anteriormente era residencial. Então um agente do governo compra o imóvel, às vezes até 3 ou 4 vezes a mais que o valor da propriedade, e dá opções de onde o cidadão ou família deve morar.

Como o sistema de trem é gigantesco, não há problema de ir bem para a periferia, pois você voltará para o centro. Funciona, por mais lotado que seja. Ah, e o apartamento que as pessoas optam por comprar é propriedade do governo, então aquele dinheiro roda.

Nem todo mundo pode ter carro. É um sorteio, as pessoas, ricas ou pobres, tem as mesmas oportunidades de terem carros por lá. É um sistema em que um dos fatores de corte é o tempo de residência na cidade. E no dia do seu rodízio, você não pode tirar seu carro da garagem. Ponto. É o dia inteiro de rodízio. Mas, novamente, o sistema de transporte público funciona.

Facebook, Google (e todos os serviços), Instagram e tantos outros sites não funcionam na China. O governo não permite acesso a esses portais, pois ele é quem controla a informação. Para acessar o mundo que estamos acostumados a usar, contrate uma Virtual Private Network (VPN). Minha indicação é a VPNExpress. Você gastará US$ 13 (contrato de um mês) e acessará tudo. E é extremamente simples usar, pois você faz o download do software da VPN, instala na máquina, coloca seu login e senha, e pronto. O mesmo funciona para dispositivos Android e iOS. Rápido e prático, basta baixar a aplicação. Obvio que tem que ter um cartão internacional. Acesse via opção Hong Kong 1.

Quer ficar conectado com o seu celular, usando o 3G? Acesse o 3G Solutions e alugue seu chip. Eles entregam no hotel. Você paga por mês o uso, ou semana. Você escolhe o período de uso e paga pelo SIM Card. Ridiculamente simples. Eles também trabalham com VPN, mas não é legal, cai o tempo todo.

Processo de aluguel do SIM Card pela 3G Solutions. Funciona que é uma beleza!

Processo de aluguel do SIM Card pela 3G Solutions. Funciona que é uma beleza!

Por favor, não leve nossos preconceitos para os chineses. Temos a ideia de que eles são presos e coisas do gênero, mas o simples fato de termos que pagar uma VPN para poder sobreviver com Facebook, Twitter, Google e etc mostra que, na verdade, estamos todos em uma grande bolha de dependência, e essas redes controlam nossos dados, tanto quanto o Governo chinês os do povo chinês. Skype e outros serviços da Microsoft funcionam numa boa, aliás.

Não dá para comprar tablet, celular e computador na China. O problema não é o preço, pelo contrário. O problema é que os dispositivos móveis vendidos na China não contam com Google Play e Apple Store. Os fabricantes de smartphones precisam criar suas próprias lojas de aplicativos e todas as apps disponíveis são aprovadas pelo governo. Se você comprar um celular da Lenovo, por exemplo, contará com a Lenovo App Store, que já conta com 40 milhões de usuários. Quanto aos computadores, o teclado é em mandarim.

A Samsung é uma das que mais vendem e das mais baratas na China. Um Samsung Galaxy 6 Edge sairia por R$ 1.500. Mas tem esse lance de não ter nada que conhecemos. Você pode comprar, trazer para o Brasil e tentar instalar o Android nele. Dá um Google antes de ir viajar, para ver as possibilidades. Só que se você falhar, é uma vez só. E se você conseguir, esqueça a garantia.

Compre cabos, powerbanks, fones, selfie Stick (pau de selfie, para quem preferir) e periféricos do gênero. Tudo é muito barato. Comprei um Power Bank de 4.400 mAh, da Miniso, por 15 RMB (em reais, algo como R$8). Aliás a Miniso tem dezenas de coisas tecnológicas bacanas para comprar, vale a pena!

Antes de você fazer a piadinha do pau de selfie, pense nesses três rapazes abaixo, e vejam o quanto eles ligam para o que você diz do bendito stick:

Selfie de YY (Why Why), CEO da Lenovo, Satya Nadella, CEO da Microsoft, Brian Krzanich, CEO da Intel (foto por Orin Thomas)

Selfie de YY (Why Why), CEO da Lenovo, Satya Nadella, CEO da Microsoft, Brian Krzanich, CEO da Intel (foto por Orin Thomas)

Dica importante: não compre Power Banks de mais de 10 mil mAh. No aeroporto, quando for fazer a rota de volta para o Brasil, eles tomam de você. Não é permitido nos voos, de acordo com a lei chinesa.

A praça e que fica o mausoléu (IMENSO) com os restos mortais de Mao Tsé-Tung é o local na china com o maior número de câmeras de vigilância de toda a China. Nem os prédios do governo (próximos à Cidade Proibida) contam com tanta câmera, sensores e tecnologia para analisar comportamento de pedestres nas redondezas do prédio.

Não fale de política com o chinês, principalmente se você não saber nada sobre política e ter uma visão estreita do mundo. Para eles, por exemplo, Mao Tsé-Tung foi bom (fez a unificação da China, melhorou a infraestrutura das cidades e tal) e ruim (o regime matou dezenas de pessoas). Não entre numa área que você não entende. Vá para aprender.

No mercado popular, tudo é negociável. Os vendedores de rua sempre chegam com o valor 100% acima do que ele realmente quer. Uma estátua de dragão esculpida a mão sempre é ofertada primeiro a 100 RMB, mas você facilmente chega a 50 RMB sem parecer explorar os caras.

Leve produtos para cuidar da sua pele (calor de doer e poluição inacreditável tornam cremes necessários), leve sprays nasais e só beba água de garrafas. E se surpreenda como você pode ser forte ao entrar em um banheiro público.

Se for dar um cartão para alguém, dê com as duas mãos, com o nome virado para a pessoa, e faça um pequeno cumprimento. Da mesma forma receba os cartões com as duas mãos. Esse respeito faz a diferença.

Come-se muito e muito bem na China. Melhor que nos Estados Unidos, inclusive. Mas é muita comida servida, potes, pratos e vasilhas de comida o tempo todo. Quando você acha que está acabando, tudo volta novamente. E não se preocupe: eles não vão servir carne de cachorro, cavalo ou qualquer coisa que você acha que eles vão comer e te assustar monstruosamente. Eles sabem que ocidentais não comem isto, então não servem. Afora que são locais muito específicos que servem essas “iguarias”.

Restaurante localizado na saída da Muralha da China. Barato e abarrotado de comida. (foto por Renato Galisteu)

Restaurante localizado na saída da Muralha da China. Barato e abarrotado de comida. (foto por Renato Galisteu)

Orientais são muito diferentes dos ocidentais. E todos temos benefícios e malefícios. Vá sem preconceito, seja respeitoso e aproveite o tempo para aprender com a cultura dos caras. Afinal, eles construíram a muralha da China, a Cidade Proibida e tantas outras coisas que você vai visitar e ficará embasbacado. E se deixar, capaz de construir tudo novamente. Lembre-se05: cada um vive a ditadura que lhe agrada. Livre, só bichinho fora da gaiola – e olha lá.

*Fui convidado para viajar à China pela Lenovo, como parte do programa de influenciadores da marca Lenovo Insider