Executivo da Motorola, William Moss explica que a Motorola teve a oportunidade de crescer em qualidade, e agora vai crescer em agressividade

Era agosto de 2011, e o Google anunciava a aquisição da Motorola Mobility por US$ 12,5 bilhões. Na época, o negócio mexeu imensamente com os ânimos do mercado, que acreditou que a partir dali o Google daria finalmente cara e nome para sua linha de dispositivos, totalmente baseados na capacidade de hardware da Motorola.

Porém, em janeiro de 2014, a Lenovo anunciou a aquisição da Motorola por US$ 2,91 bilhões. E novamente, um gigantesco barulho foi feito no mercado, mas desta vez tentando entender o que aconteceu com a estratégia do Google (se realmente existia uma estratégia) e quais seriam as intenções da Lenovo.

A diferença no valor das duas negociações foi algo que constrangeu o mercado. Apenas alguns meses depois foi informado que o Google ficou com centenas de patentes da Motorola, como forma de se proteger em ações no futuro, e que a Lenovo e a gigante das buscas fizeram um acordo para trabalhar o Android de forma mais pura e simples, focando na experiência do usuário, com o Google trabalhando muito próximo do time da Motorola Lenovo.

Atendendo ao Lenovo Tech World, em Beijing, China, William Moss, diretor global de comunicação corporativa da Motorola, contou ao Up to Tech que a transição da Motorola para as mãos do Google e posteriormente para a companhia chinesa, foi repleta de benefícios para a marca.

“O Google deu muita liberdade para a Motorola. Passamos quase um ano sem lançamentos, apenas pensando e desenvolvendo interfaces para melhorar a experiência do usuário com um dispositivo nosso. Essa obsessão pela boa experiência de uso é algo muito vivo no Google, e a Motorola foi muito bem contaminada por isto. Agora com a Lenovo, manteremos esse foco na experiência do usuário, mas com mais agressividade e força em todo mundo”, explicou ele.

Ele lembra que antes da aquisição da Motorola pela Lenovo, a companhia tinha reduzido a presença no mercado mundial para pouco mais de 20 países. “Após esses seis meses com a Lenovo no comando, voltamos a quase 60”, conta Moss.

Segundo o executivo, a Lenovo tem duas missões para a Motorola que são muito bem estruturadas: continuar crescendo no mercado global, principalmente em países onde a marca é chave para negócios (como é o caso do Brasil) e manter a linha de frente na inovação no uso de dispositivos Android.

Obviamente, a Lenovo se utilizará, quando possível e interessante, deste foco em um software limpo e puro, quando levar a própria marca para mercados onde a Motorola não é forte e que o uso do Android convencional é liberado.

Vale dizer que na China, onde a Lenovo é gigante na venda de smartphones, o sistema operacional Android é extremamente personalizado. E devido aos bloqueios do governo chinês, nenhum smartphone vendido no País tem acesso à Google Play. Isso fez com que a Lenovo criasse sua própria loja de aplicativos para os clientes chineses, e hoje a companhia já tem mais de 40 milhões de downloads na China. Xiaomi, Samsung, Apple e tantas outras fabricantes fazem o mesmo, e todas as aplicações passam pelo crivo do Governo chinês.

A Lenovo é hoje a terceira maior companhia em número de vendas de smartphones em todo mundo.

*Fui convidado para viajar à China pela Lenovo, como parte do programa de influenciadores da marca Lenovo Insider